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Tradd Moore é um artista de comics Norte Americano, conhecido pelo seu trabalho na série Luther Strode da qual é co-criador, escrita por Justin Jordan, com cores de Felipe Sobreiro e publicada pela image Comics. O seu trabalho na série All New Ghost Rider para a Marvel e as suas incríveis capas para os mais variados títulos merecem igualmente destaque na carreira de um dos mais excitantes talentos do mercado Norte Americano de Banda desenhada.

http://www.traddmoorecomics.com/

traddmoore.tumblr.com/

https://www.instagram.com/traddmoore/?hl=en

Galeria

Cores da imagem do título por Felipe Sobreiro.

O Cantinho do Plati é um espaço onde eu, Nuno Plati, ilustrador, artista de Bd, e colaborador com a Gateway City Comics dou relevo a alguns dos que considero dos mais interessantes, excitantes, e importantes artistas do mundo dos comics, BD e Manga.

Nome:

Daniel Henriques

De onde és? Quantos anos tens?

Sou de Portugal e tenho 32 anos.

Como é que a zona onde cresceste influenciou os teus gostos / trabalho?

A zona onde cresci teve de facto impacto nos meus gostos e trabalho, eu tive uma infância pobre e morava numa área rural que ficava isolada do resto do planeta alguns meses por ano quando não havia escola, isso de uma certa maneira levou-me a mergulhar em universos imaginários da BD, livros e televisão e realmente expandiu a minha imaginação, mas depois eu também tinha o resto do ano, em que gostava muito de andar de bicicleta com os meus amigos e de estar ao ar livre e ter aventuras divertidas, consegui um bom equilíbrio que me permitiu ter um leque bastante diversificado de gostos.

BDs favoritas, filme, livro, programa de televisão, banda, enquanto crescias?

Spawn (porque é a bd que me fez querer entrar para o meio), Alien, tudo de Stephen King, X-files, Metallica e Soundgarden.

Criadores favoritos e seu impacto no teu trabalho?

Todd Mcfarlane é a minha principal influência em termos de eu querer fazer parte do meio, também Greg Capullo e Joe Madureira foram grandes inspirações para mim.

Relativamente ao trabalho como arte-finalista Jonathan Glapion, Scott Williams e Danny Miki foram as maiores influências.

Quando é que é começaste a pensar que fazer BD poderia vir a ser o teu emprego?

Eu decidi que queria ser um arte-finalista assim que descobri o que era a arte-final, eu sempre quis trabalhar em BD e, assim, eu poderia colaborar com os meus artistas favoritos, o que se tornou a minha principal motivação.

Como foi o caminho para lá chegar?

Foi um jogo de paciência e trabalho árduo, tive sorte em algumas das amizades que fiz e nunca passei pela fase de mostrar o portfólio a editoras. Jonathan Glapion é a razão pela qual eu consegui ter o meu trabalho à frente de editores e ensinou-me muito sobre a arte-final e sobre o próprio meio. Durante praticamente dois anos trabalhei como seu assistente e fui ao mesmo tempo tentando melhorar no meu ofício para estar pronto para quando uma oportunidade se apresentasse, e quando isso aconteceu, o verdadeiro desafio começou.

Ficar no “biz” é muito mais difícil do que entrar no mesmo, como tal, o que sempre fiz  foi baixar a cabeça e tentar fazer o meu melhor, e deixar, espero eu, o trabalho falar por si mesmo.

Como é o teu dia de trabalho?

Nos últimos dois anos, foi praticamente 12 a 20 horas por dia na mesa, às vezes mais, sete dias por semana com pouco tempo para qualquer outra coisa.

Agora que eu tenho uma filha pequena, estou tentar ter dias mais equilibrados e sempre que não estou na mesa de trabalho, tento estar com ela.

Ferramentas do ofício?

Quando trabalho tradicionalmente, aparo (Hunt 102, Deleter Maru) , pincel (Raphael Kolinsky, Windsor e Newton Series 7) e várias canetas. Apesar de usar mais aparo do que o resto, e também uso várias tintas da china e tintas corretoras e, ao trabalhar digitalmente, faço a maior parte do meu trabalho no Clip Studio Paint (Manga Studio) no Wacom Mobile studio pro 16.

Melhores/piores partes do trabalho?

Melhores, trabalhar em títulos que eu adoro, com artistas que eu respeito. Piores, prazos muito apertados.

Quebras criativas, tens? Como é que as superas?

Na verdade não, mas se em alguns dias não estou muito para aí virado, simplesmente insisto, e continuo a trabalhar.

Vida social? É possível ter uma?

Sim, basta encontrar o equilíbrio certo e evitar distrações durante o trabalho.

Convenções de comics? Sim ou não?

Com certeza, é ótimo conhecer os leitores dos nossos livros e conviver com outros profissionais.

Projecto favorito?

Talvez o conjunto de números que fiz na JLA com Bryan Hitch porque é o projecto mais longo que fiz e uma história completa.

Projecto de sonho?

Na verdade, não tenho nenhum.

Opiniões sobre o estado actual do meio?

Estamos a viver numa época de grande diversidade e criatividade e eu sinto que isso se reflete na BD, há uma grande variedade de títulos e estilos artísticos, além de também gostar das adaptações feitas para cinema e televisão. Gostava que isso ajudasse a levar mais pessoas a desfrutar da BD.

Projectos de autor versus projectos encomendados?

Ambos têm o seu espaço e podem florescer lado a lado. Fico feliz ao ver vários artistas a saltar de um para o outro.

O futuro?

Após acabar os números que tenho em mãos, não posso falar sobre o que está para vir, mas vai ser um 2018 emocionante.

Daniel Henriques (twitter.com/@DHenriquesInks) nascido em 1985, é um arte-finalista de comics português. Iniciou a sua carreira como assistente de arte-final para Danny Miki e, mais tarde, Jonathan Glapion, onde contribuiu com a arte-final para títulos da Marvel, Image e DC Comics. Em 2015 começou a sua carreira a solo para a DC comics, onde trabalhou numa grande variedade de títulos DC, incluindo Green Arrow, Mortal Kombat X, Batman Arkham Knight: Robin, Green Lanterns, Justice League vs Suicide Squad, JLA, Justice League Rebirth e recentemente na Justice League of America e Supergirl.

IMAGE GALLERY

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Bryan Hitch.

Lápis por Bryan Hitch.

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Robson Rocha.

Imagem de capa, lápis Robson Rocha.

Nome:

Jorge Coelho

De onde és? Quantos anos tens?

Eu sou de Lisboa, Portugal, colheita de 77 …

Como é que a zona onde cresceste influenciou os teus gostos / trabalho?

Muito, sou uma criança suburbana que viveu profundamente a década de 90, morava numa cidade multicultural com muitas pessoas de diferentes partes do país e do mundo também. Éramos na maior parte, miúdos de classe média baixa, não havia internet,  então nós encontravamo-nos ao vivo, e íamos inventando o que fazer, improvisando jogos e encontrando maneiras de manter os nossos interesses, a BD era e ainda é uma das principais maneiras de escapar para a fantasia …

BDs favoritas, filme, livro, programa de televisão, banda, enquanto crescias?

Batman Year One, Pulp Fiction, The Art of War, The Twilight Zone / Star Trek, The Smashing Pumpkins …

Criadores favoritos e seu impacto no teu trabalho?

Nos anos de desenvolvimento, Frank Miller, John Byrne, Mike Mignola, Arthur Adams e Michael Golden. Agora é principalmente Sean Murphy.

Quando é que é começaste a pensar que fazer BD poderia vir a ser o teu emprego?

Quando entrei! Antes era muito difícil manter a fé, eu já era um Ilustrador por isso já estava feliz com o que era. Mas a um nível mais profundo, sonhava tornar-me um artista de BD desde os quatro anos de idade, antes de saber escrever ou ler…

Como foi o caminho para lá chegar?

Sinuoso, divertido e imprevisível. Cheio de experiências criativas e com um esforço de equipa, também, porque era (e ainda sou) parte do The Lisbon Studio onde ajuda e análise mútuas estiveram lá sempre para mim.

Como é o teu dia de trabalho?

Acordar, banho ou ginásio, comer alguma coisa leve, beber café, metro, estúdio, trabalho, almoço, trabalho, metro, casa e relaxar… quando estou a lidar com um prazo substituir relaxar com as páginas mais urgentes…

Ferramentas do ofício?

Pigmento! Tinta da China sempre, com um papel decente, aparos Deleter Maru e pincel Windsor & Newton Series 7 tamanho 3, caneta Posca branca, caneta correctora UHU, réguas e moldes de elipses.

Melhores/piores partes do trabalho?

Artes-finais e conceber as composições (layouts). A pior, os prazos, porque queres sempre fazer melhor.

Quebras criativas, tens? Como é que as superas?

Tenho sempre micro quebras criativas durante a fase dos layouts… é nessa fase que tenho todas as minhas dúvidas e bloqueios mais importantes e a partir daí que a narrativa tem de fluir bem.

Vida social? É possível ter uma?

Sim, mas principalmente entre números e aceitar novos projectos.

Convenções de comics? Sim ou não?

Sim, é o local para encontrar e comunicar directamente com os leitores, que são os nossos patrões.

Projecto favorito?

John Flood.

Projecto de sonho?

Sandman COM o Neil Gaiman.

Opiniões sobre o estado actual do meio?

Falta de respeito/educação da parte de grupos politicamente motivados para com escritores e artistas, a par de variedade e qualidade incríveis em diferentes trabalhos a serem feitos neste momento.

Não necessariamente alinhados com as vendas. Surreal, é o que acho.

Projectos de autor versus projectos encomendados?

Ambos! Há virtudes em ambos.

Jorge Coelho,  ilustrador/ cartoonista, actualmente desenha para o mercado norte americano em editoras como a Marvel (Rocket Raccoon, Haunted Mansion, Loki Agent of Asgard, Agent Venom), BOOM! Studios (John Flood, Sleepy Hollow, Polarity) e Image Comics (Zero).

Twitter: @JCoelhoPT

Image gallery

“Os escritores são nada.”

Esta é a ideia que está na base desta coluna sobre escrita para BD, mas permitam-me que a clarifique: os escritores, sejam eles desenhadores do próprio material, ou guionistas que passam a outros as suas ideias, começam sempre do zero, de um abstracto que não existe. De um “nada”, que acaba por se tornar em alguma coisa, moldado pelas ideias, pelos conceitos e que ultimamente termina numa história, em desenhos, cor, arte final, legendagem, e todos os passos do processo pelo qual um nada passa a ser um “todo artístico”.

O escritor vive nessa angústia da ausência de referências para dar início ao processo, vivendo, respirando e sendo… nada, até que o tornem em algo mais.

Esta “Escrita ao quadrado” visa precisamente fazer uma ligação entre a nona arte e o processo de escrita que lhe está apenso, seja através de ensaios, críticas, análises de estilos, biografias ou meramente ao contar episódios famosos da história da escrita para BD.

E porque há que começar em algum lado, aproveito esta oportunidade para falar daquele que julgo ser neste momento o mais competente escriba da indústria de comics contemporânea, nomeadamente TOM KING.

À imagem de um bom e moderno artigo digital que se preze, apresento cinco pontos principais que defendem esta minha opinião, prometendo que nenhum deles é clickbait…

1- A FORMAÇÃO

Criado por uma mãe que trabalhava na indústria cinematográfica, Tom King cresceu rodeado de histórias e narrativas, algo que usou e aprofundou quando estudou Filosofia e História na Universidade de Columbia.

Recém-formado, cumpriria estágio nos departamentos editoriais da DC COMICS e da MARVEL, onde trabalharia como assistente pessoal do famoso argumentista CHRIS CLAREMONT.

Todavia, após o 11 de Setembro, tomaria a decisão de ingressar na divisão de contra terrorismo da CIA, na qual operaria durante 7 anos, experiência marcante que decide abandonar após se tornar pai, enveredando por uma carreira na escrita de romances e comics.

2- A DIVERSIDADE

Tendo dado nas vistas com “A Once Crowded Sky”, romance ilustrado com algumas páginas de BD, King é então convidado pela DC para co-escrever o título “GRAYSON” em parceria com TIM SEELEY, sobre as aventuras de um Dick Grayson recém-recrutado para uma força de espiões internacional, tema que assentava como uma luva ao escritor.

Porém, rapidamente escapa ao nicho temático, começando a escrever a Maxi-Série “OMEGA MEN” sobre uma força de rebeldes em combate com um império galáctico opressivo.

Curiosamente no mesmo ano de 2015, lança através do selo editorial VERTIGO para leitores adultos, a série de crime “SHERIFF OF BABYLON”, talvez a mais inspirada na sua vida profissional anterior, ou não retratasse perfeitamente os meandros da corrupção, crime e abusos da ocupação militar americana do Iraque.

Numa nova oportunidade, Tom King assina então pela MARVEL a Maxi-Série “VISION”, sobre o androide robótico dos Avengers, num estilo adulto, perturbador e reminiscente dos trabalhos de Phillip K Dick, ou não retratasse a criação de uma família sintética por parte do herói, numa busca do que constitui afinal “estar vivo”.

A atenção e a profusão de estilos, valeria a King um contrato exclusivo com a DC COMICS em 2016, onde não só pegaria no legado de SCOTT SNYDER para dar corpo ao título “BATMAN” após o propositadamente apelidado “REBIRTH” da sua linha de super-heróis, para a qual escreve ainda o livro, após quase dois anos. A juntar a isso, desenvolve o seu novo trabalho, uma homenagem ao estilo desbragado e febril de acção e conceitos de JACK KIRBY, no delirante “MISTER MIRACLE”.

3- DOMÍNIO DA LINGUAGEM DA BD

Muitas vezes usando grelhas base de 9 painéis, um pouco à imagem de “WATCHMEN”, em títulos como “OMEGA MEN”, “VISION” ou “MISTER MIRACLE”, TOM KING assume como poucos a compreensão do domínio dos tempos da narrativa de painel para painel, repetindo por vezes acções das personagens ou painéis silenciosos, para controlar o leitor e a sua compreensão e avanço da história. De facto, o escritor preconiza como poucos o chamado “contrato” narrativo com o leitor, deixando que este preencha o tempo de cada quadro e cada prancha com a mente, ligando as palavras e as imagens e completando o tempo e os acontecimentos entre estas, numa experiência por vezes cinematográfica e narrativa ímpar.

4- O PRIMADO DA ACÇÃO, SERVIDA POR DIÁLOGOS NÃO EXPOSITIVOS

Apesar de dominar o uso de uma redondilha curiosa de diálogos onde abundam repetições, interjeições e locuções adverbiais constantes, a principal característica da escrita de King passa por deixar muitas das vezes que seja a arte e a acção inerente a contar a história, usando os diálogos sobretudo para demarcar as personagens, as suas intenções e características, evitando apenas passar informação expositiva. Talvez por isso mesmo, abundam na sua obra os painéis silenciosos em muitas das suas obras.

5- OS COLABORADORES

E porque a BD é sobretudo uma arte visual, Tom teve a sorte de se rodear de alguns dos mais inovadores jovens talentos gráficos da indústria de comics, que não só entendem o primado das suas indicações, como se sentem à vontade para criar estilos próprios, no que se pretende ser sempre uma sinergia criativa que beneficie e inspire ambos os lados. Assim, nomes como MIKEL JANIN, MITCH GERADS, GABRIEL HERNÁNDEZ WALTA, DAVID FINCH ou LEE WEEKS têm sido algumas das suas principais parcerias, realizando trabalhos que cada vez mais granjeiam do apreço da crítica e do público, catapultando o nome de TOM KING como um dos indiscutíveis novos génios da escrita de comics da actualidade.

NUNO DUARTE

escritor e guionista de BD, TV, Teatro, Multimédia e cassete pirata assina esta coluna, negando-se a adoptar o acordo ortográfico e recomendando a toda a gente que leia o especial “BATMAN/ELMER FUDD” de TOM KING e LEE WEEKS, como um dos crossovers mais estranhos, belos e significativos dos últimos anos dos comics.