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CrossOver: Overwatch

26 Fevereiro

Em 2014, durante a Blizzcon, a Blizzard preparava-se para anunciar o seu novo título.
Depois do furor criado em torno do projecto Titan, abruptamente cancelado ao fim de cinco anos de desenvolvimento, as expectativas para o novo título eram altas.

 

No seguimento do sucesso de World of Warcraft, a Blizzard propôs-se a criar um novo universo e um novo jogo. Inicialmente apelidado Project Titan, esta empreitada teve, no seu auge, cerca de 140 pessoas envolvidas no seu desenvolvimento. No entanto, a falta de consenso na visão criativa do jogo levou a que a equipa fosse redirecionada para outros jogos da produtora, e só um pequeno grupo ficou encarregue de desenvolver uma visão coerente do projecto.

Overwatch apanhou a grande maioria dos jogadores de surpresa. Em lugar do esperado MMO, a Blizzard optou por lançar um Team Shooter, sem um modo de campanha ou de história individual, focado nas arenas de PVP competitivo. O jogo aposta em cenários contidos, onde o jogador pode optar por um dos mais de 20 personagens diferentes e juntar-se com mais cinco outros jogadores contra outra equipe de seis. Esta estrutura forçou a Blizzard a escolher outras formas para apresentar o seu novo universo, visto que o ritmo e o estilo de jogabilidade escolhido para Overwatch não é o mais apropriado para a narrativa.

Como em todos os projetos da produtora, a história e o universo de Overwatch são maiores do que aquilo que é apresentado durante o jogo. Com um grupo inicial superior a 20 personagens, cada um com um passado e um historial diferente, a equipa de Overwatch escolheu criar animações curtas para alguns personagens assim como desenvolver outros aspectos das histórias através de bandas-desenhadas.

 

A Blizzard já antes tinha tido várias incursões pela área dos comics, como forma de desenvolver as histórias dos seus jogos. World of Warcraft teve várias mini séries publicadas através da Wildstorm, assim como algumas comics do universo Starcraft.

Com as BDs de Overwatch no entanto, a preferência recaiu sobre a edição digital no site do jogo.

Lançada em 2016, a primeira história de Overwatch, Train Hopper, é escrita por Robert Brooks, com uma dinâmica arte de Bengal e relata um episódio casual de um dos personagens do jogo, McCree.

Os números seguintes vão acompanhando os vários personagens do jogo, alguns com histórias actuais, outros com vislumbres do seu passado. Com um ritmo de publicação mais ou menos regular, a aposta em histórias curtas de cerca de dez páginas funciona bem, especialmente pela qualidade da arte.


Arte por Nesskain.


As histórias contam com argumentos de Robert Brooks, Matt Burns e Andrew Robinson, entre outros, enquanto do lado da arte, devo destacar, para além do excepcional trabalho de Bengal, sobretudo nos dois volumes dedicados à personagem Ana, a escolha de Miki Montllo como artista. A qualidade da narrativa de Montillo, já provada no seus albuns de BD, Warship Jolly Roger, sobressai de forma magistral nas histórias curtas do universo Overwatch. As historias, Reflections com Tracer e Wasted Land com  Roadhog e Junkrat destacam-se em grande parte devido a qualidade da arte de Montillo.

Arte por Miki Montillo.

Pedro Potier

artista para videojogos, com pequenas deambulações pela banda desenhada, animação, storyboard e ilustração escolar, editorial, jogos de cartas e tabuleiro, publicidade…

fascinado pela interdisciplinariedade dos meios de entretenimento e cultura actuais, vai tentar aqui dar a conhecer um pouco do que se faz nas várias áreas.

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Um comentário a “CrossOver: Overwatch”

  1. […] Mead Schaeffer e outro sobre a A BrandyWine School), o Pedro acaba de publicar um artigo sobre a passagem do Overwatch para BD, na sua rubrica CrossOver no site da Gateway City Comics. Há pessoas aqui no Abelardo que […]

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